Lembro-me do
fato ocorrido em 2006, onde vimos a Ministra Ellen Grayce ser vítima de um roubo na
linha vermelhe, logo após sair do Aeroporto Galeão, na cidade do Rio de Janeiro.
Hoje, 01 de
outubro de 2013, em Manaus-AM, tivemos a triste notícia de um latrocínio onde
pai e filho, ambos trabalhadores, o pai dono do Restaurante Rei do Carneiro,
tradicional na cidade de Manaus, e seu filho recém-formado em Odontologia,
foram covardemente assassinados simplesmente pela maldade humana, até porque não
se recusaram em colaborar, ou mesmo esboçaram reação alguma diante a violência
sofrida.
Você deve
estar se perguntando: Mas o que estes dois eventos tem em comum?
Vejamos: Na
primeira citação a sociedade expressou todo seu rancor ao comentar o fato (o que pode ser comprovado com mais de 500 comentários publicados no G1 a época) das
autoridades Brasileiras agirem de forma dissociada da realidade, tendo o povo de certa forma até comemorado o fato de um "semi-Deus" ter sido vítima das agruras sofridas pelos mortais. A Ministra deu
uma declaração que o fato poderia ter acontecido com qualquer pessoa da
sociedade, esquecendo a mesma que isso realmente acontece todo dia, porém os
demais cidadãos não tem o direito ao aparato de investigação da Polícia Federal
a seu favor, muito menos o tratamento dispensado.
A grande
verdade é que o Brasileiro, e o povo amazonense não poderiam ser diferentes, é completamente
letárgico a tudo isso e vez por outra parecem acordar para logo em seguida
voltar ao sono de Cinderela. Age-se como
se a violência fosse um fantasma ao longe, onde se pode até enxergar sua
silhueta, mas jamais distinguir sua face, porém esta não é a realidade. Esta
violência é real e esta cara a cara com todos nós, e mais presente que nunca.
Discute-se o
tema da mesma forma que amigos debatem numa quarta-feira a respeito do jogo de
seus times favoritos, apenas com emoção, com meias informações. Não se tem o
interesse de ir a fundo, de buscar as causas e não as consequências, e pior, em
virtude disto, a cobrança não poderia ser diferente, ou seja, sempre o mesmo
discurso de “Queremos mais segurança!”, mas que segurança realmente queremos?
Hoje, não diferente do caso da Ministra, li
diversos textos de repúdios, de discursos inflamados, porém tendo sempre o
mesmo alvo, que é a Segurança Pública. Será que somente esta é capaz de conter
a escalada da violência? Será que mais policiamento por si só será suficiente
para tornar nossa sociedade como há 20, 30 anos atrás? Na verdade sempre um
discurso simplista e com alvo predefinido, seja pela falta de senso critico ou
mesmo pela manipulação sofrida diariamente pela mídia.
Os fatores da escalada
da violência levariam uma biblioteca inteira na busca de explicar seus mais
variados motivos, porém alguns pontos são explícitos, como a ausência de legislação penal dura, um sistema prisional que realmente recupere o apenado, uma educação
de qualidade, uma politica de desenvolvimento clara para a Nação (uma vez que não
temos um planejamento estratégico definido), uma politica de investimento em
segurança pública factível e real, dentre tantos outros não menos importantes.
Quanto à
sociedade deixamos um novo ponto de reflexão
a respeito de mais um custo que ora se torna inevitável, que é o investimento
em segurança privada, que pode se dar na forma de sistemas eletrônicos e/ou patrimoniais,
sendo mais um absurdo diante de tantos impostos pagos, mas infinitamente
inferior ao custo da perda de um ente querido.
Fica nosso
pesar a família do grande trabalhador Xavier o qual, juntamente com sua
família, escreveu seu nome no rol das pessoas honradas, e que infelizmente se
fez vitima de uma sociedade que valoriza mais o bandido que o trabalhador.
Vinícius Almeida
Consultor de Segurança
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